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Project Cars Project Cars #269

A restauração do meu Volkswagen TL: chegou a hora da tapeçaria e acabamento interno

Desculpem a demora, pessoal! Estou finalizando o projeto de um console pro carro e por falta de tempo não consigo acertar os detalhes! Mas para os próximos meses eu prometo que termino. Pra quem está chegando agora, seguem os links da historia toda até aqui.

Bom.. motor feito! Mecânica em ordem, chegou a hora de cuidar do que mais incomoda em qualquer dono de carro antigo, os detalhes estéticos. Não me leve a mal, mas de nada adianta um carro com a mecânica em dia se o visual não agrada o próprio dono. Quando comprei o carro, ela estava linda do jeito que chegou, mas depois de um tempo de relacionamento a gente começa a reparar em detalhes que não via antes, sabem como é.

Creio que uma das primeiras coisas que começou a me aborrecer muito era o volante. Quando chegou, o volante (que é original desse modelo de TL, SIM essa é uma TL Sport que, por heresia, foi descaracterizada) estava sem revestimento nenhum, pintado terrivelmente de preto e com uma capa de volante com gosto extremamente duvidoso. Pesquisei, cotei, analise e concluí, mais uma vez, que eu mesmo ia dar um jeito nisso.

Primeiramente dei um trato geral na estrutura do volante. Gastei muita lixa pra tirar a tinta que estava lá e mais um punhado de lixa pra polir, o resultado ficou agradável. Parti então pro acabamento do botão da buzina, existia algum material de outro mundo cobrindo o mesmo, algum tipo de plastico, resina ou sei lá o que era aquilo. Não soltava com solvente, não soltava com lixa.. não soltava com nada. Pensei um pouco e joguei a peça na água fervendo. Incrivelmente, saiu tudo na hora (hahaha pensa numa pessoa feliz.. ria sozinho).

Com o volante pelado em mãos eu comecei a arrumá-lo. Primeiramente costurei uma capa de courvin perfurado, desses que você encontra na internet, a esperança de ficar algo bom era remota, mas como a mão de obra era minha, não custava dar uma chance. Tive que ajustar algumas medidas da capa, afinal ela é feita para volantes modernos (grossos), enquanto o Walrod tem a estrutura bem fininha.

Eu não quis colocar preenchimento de espuma, o projeto era deixar o volante esportivo e ao mesmo tempo com o aro fino, coisa que sempre vai bem no visual de carros antigos. A estrutura da buzina também recebeu courvin, porém liso. Evitei o uso de tinta pra não ter que ficar retocando sempre. Atrás do volante existem “pegadas” para os dedos ao longo de toda sua volta, pegada essa que após terminar de costurar ficou sensacional. Quando terminei o ultimo ponto, eu parecia um pai orgulhoso, e na infantilidade da solidão do momento.. me vi dirigindo um carro de mentira guiando o volante pela casa. Foi ridículo.

 

O painel também estava largado ao tempo, nada que uma estopa e produtos de limpeza não resolvem.
Aqui uma foto comparando um relogio limpo dos outros sujos.

Jpeg

Depois disso, passei para o banco do motorista!

Um dos gomos, o que juntava o apoio lateral das costas, estava descosturado e com um tipo de adesivo tentando segurar a onda, sem sucesso obviamente. Isso me aborrecia muito porque além de ser horrível, ainda pinicava. Cotei o serviço.. coisa que não sei porque ainda perco tempo fazendo.. novamente eu fui obrigado a me virar. Sem saber nem por onde começar, pedi ajuda pra turma do Forum Fusca Brasil, que prontamente me responderam como proceder. Na teoria era tudo muito fácil e lindo, na pratica foi um pouco diferente. Descobri como soltar a capa, tirei, olhei e cheguei até a pegar a máquina de costura da vó.. impossível fazer aquilo com as ferramentas que eu dispunha.

Com a capa em mãos, rodei alguns sapateiros que não me passaram confiança, até que lembrei de uma loja de estofados que ficava exatamente ao lado da minha casa. Seu Paulo olhou, pegou da minha mão e prontamente passou uma costura simples, aproveitou que a linha preta já estava na agulha, em dois minutos o serviço foi feito, não quis me cobrar, paguei-lhe um refrigerante pela camaradagem. Era hora de colocar tudo de volta.. como se fosse fácil. Apanhei um pouco mas consegui colocar tudo de volta no lugar. Na hora não gostei, ficou meio fora de forma, mas após rodar alguns quilômetros, tudo se assentou e ficou bem legal.

A falta de frisos no carro também não me deixava feliz. Apesar do apelo esportivo que eu tentava manter, faltava brilho. Talvez uma pintura lustrosa cobrisse essa necessidade, mas era algo fora de cogitação. Fui atrás de colocar todos os frisos possíveis, encontrei-os com relativa facilidade. Apenas uma dica para os leitores, PESQUISE! Pesquise muito.. quando cansar, pesquise novamente. Os frisos da caixa de ar iam de preços desde R$150 até R$10 (o mesmo friso), acabei colocando somente os frisos laterais, frisos da calha e caixa de ar. Os frisos do para-lama foram um caso a parte, eu estava duro, e R$500 num jogo de friso me parecia exagero. Num ato impensado, comprei alguns metros de friso daqueles de plastico autocolante, sabe? Baratinho. Coloquei pra ver como ficavam, pra meu espanto, acabei gostando do que vi, economizei R$480 reais.. achei justo. ( Vocês podem ve-los nas fotos das rodas daqui a pouco).

Internamente o barulho era algo intenso, pra conversar era necessário um certo esforço vocal, afinal de contas o motor fica dentro do carro né. Pensei um pouco e decidi trabalhar a acústica do porta malas. Me cansa só de lembrar o trabalho que deu. Devo ter adicionado uns 100kg ao carro, mas consegui diminuir o barulho em, chutando, uns 70%. Todo o barulho que se ouve agora vem externamente ou vibrando pelas laterais do carro (as laterais eu ainda não mexi, e nem sei se pretendo, já está bom assim… afinal de contas se quer carro silencioso compra um novo).

Deu trabalho mas gostei muito do resultado.

Faltava o acabamento da tampa do porta malas, não se acha pra vender. Quem faz não cobra barato, adivinhem o que eu fiz? Hahahaha exato, eu fiz um acabamento! Não ficou nem um pouco como eu queria, mas é um lugar tão escondido, que do jeito que ficou está muito bom e resolveu o problema da reverberação que ocorria ali.

As rodas que vieram nela (Estou vendendo hein pessoal!) eram, particularmente horríveis e não combinavam com o carro. Providenciei rodas de ferro e pintei de preto (não me julguem sobre a forma que foi feito), calotinhas e sobrearo cromados pra terminar o acabamento. Lembram que o carro não tinha brilho? Pois é.. tava brilhando demais agora.  Acabei por achar melhor tirar os sobrearos posteriormente, ok vai, é mentira, não tirei porque eu quis, tirei porque perdi um deles num buraco.. mas gostei do resultado sem os mesmos.

Senhores, me desculpem o texto curto dessa vez, minha ideia era fazer um belo textão contando tudo o que foi feito, mas o console central não ficou pronto a tempo, acho que o cara que está fazendo ta me enrolando, vou dar uma prensa nele! Aguardem o próximo e ultimo capítulo da série! Espero que estejam gostando!

José Guilherme, Project Cars #269

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