A saga da restauração de um Volkswagen Corrado G60 no Brasil – Parte 6

Fabiano Silva 13 novembro, 2017 0
A saga da restauração de um Volkswagen Corrado G60 no Brasil – Parte 6

Salve, povo gearhead! Para começar esse capítulo, iniciaremos com reclames de produtos/serviços tidos como referência em alta performance no Brasil.

Por coincidência, justamente na mesma época em que tive problemas com a citada bomba de combustível, estava lendo  um livro nacional sobre preparação de motores no qual o autor foi categórico em afirmar que aqui no Brasil não uma única empresa que fabrique ou monte soluções com bombas elétricas de combustíveis de alta performance e a situação ainda piora quando o combustível utilizado é o álcool.

E não é que o autor do livro está coberto de razão?

Então vamos a “mini-saga” da bomba de combustível, desde o primeiro capitulo, ainda com o motor original, compressor G60 e rodando na gasolina eu já tinha percebido que o marcador de combustível nunca passava de ½ tanque, removi o conjunto boia/bomba e constatei que o potenciômetro da boia de combustível estava com as trilhas desgastadas e por isso não marcava corretamente. A bomba de combustível apesar de funcionar já não era mais a original, já haviam adaptado outra dentro do copo original e sabe-se lá a quanto tempo essa bomba foi adaptada, enfim, teria de trocar todo o conjunto.

Pesquisei e descobri que o conjunto boia/bomba dos Corrados acima de 1991 é o mesmo usado nos Passat B3/B4 e alguns Golfs MK3. Comprar uma destas original aqui no BR, impossível, importar um original BOSCH ou Pierburg  é possível, porem inviável, custam caro mesmo lá fora e ainda tem o inconveniente de nenhuma delas tolerar o álcool combustível diminuindo drasticamente sua vida útil.

O que fazer então? Da boia preciso de qualquer jeito, do copo, ter um extra,  intacto para futuras adaptações seria bom, já que o original já foi mexido e está todo ressecado.

Importei então um conjunto de boia/bomba “paralelos” no qual o custo saiu menor do que se comprar um conjunto usado de um Passat B4 em desmanches para aproveitar a boia e a bomba optei por comprar as famosas nacionais “GTI 12bar” vendidas nas lojas de bombas daqui do BR mesmo..

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O copo amarelado é o original, o copo ao centro é o “paralelo” Xing-ling e o copo a direita é o “GTI 12bar” montada em um copo de Passat B4 (solução fornecida pronta/montada  pela empresa que vendeu a bomba no qual é famosa e recomendada por tudo quanto é preparador de carro turbo e no álcool.)

Pois bem, montei o conjunto boia gringa + bomba GTi12bar e tudo maravilha, marcando no painel certinho e pressão de combustível estável. Ficou bacana por exato um ano!! De repente a pressão começou a cair e a bomba não passava de 2,5bar.

O Autor do livro que li estava certo!! Ele dizia que principalmente em carros a álcool que rodam esporadicamente dificilmente essas bombas duram mais de 1 ano, entre 6 a 12 meses viram sucata. E Foi exatamente isso que aconteceu, e pior ainda, se computar as horas trabalhadas no período, duvido que ela tenha trabalhado por mais do que 200 horas.. ou seja, vida útil irrisória para um bomba de combustível no qual deveria durar mais de 50.000 km rodados

Abri o copo da “GTI 12bar” para ver o que montaram lá dentro ( na época quando instalei não me dei ao trabalho de desmontar para conferir) e vi que a bomba é uma BOSCH 040:

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Pois bem, a Bosch 040 é uma excelente bomba in-tank , irmã da sua versão in-line que é a 044, largamente usada em carros preparados mundo afora, possui uma vazão superior as comuns e consegue trabalhar com pressões  elevadas, porém não suporta álcool. Ou seja… qualquer bomba de combustível que não tenha seus componentes internos imunes  a corrosão causada pelo Álcool, a vida útil será drasticamente reduzida.

Então temos o primeiro problema:

  1. A empresa me vendeu um produto que não atende a necessidade de 90% dos usuários de motores preparados no Brasil, já que são quase todos movidos a álcool.
  2. Essa bomba Bosch 040 ela custa, nos EUA, mais caro do que o valor que eu paguei pela “ GTI 12bar” aqui, alguém consegue me explicar essa mágica? Como uma loja brasileira consegue vender um produto importado com preço menor do que o praticado lá fora ? só consigo pensar em duas hipóteses:  ou é bomba usada/recondicionada ou é falsificada..
  3. A Bomba me foi vendida juntamente com o copo que faz o papel de catch tank, mas ao abrir o copo fiquei espantado com a gambiarra tosca que a empresa renomada fez para fixar a bomba dentro dele… simplesmente quebraram as repartições dentro do copo para caber a bomba, amarraram uns pedados de mangotes de borracha e tire-ups para prender a bomba e pronto. O copo não mais retinha o combustível vindo do retorno da flauta  o mantendo sempre cheio a fim de evitar que durante curvas e com nível do tanque abaixo de ¼ dê falta de combustível, o que é um perigo para carros sobre-alimentados.

Enfim, tenho motivos de sobra para dar total credibilidade ao autor do livro no qual ele afirma que aqui no Brasil não existe nenhuma empresa que forneça bombas de combustível de alta performance com qualidade!

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Nessa foto a bomba “GTI 12bar” com o copo fechado, até ai beleza, mas quando abre o copo….

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Bom, bomba morreu, resolvi pegar a importada “paralela” que eu tinha comprado apenas para usar a boia, pelo preço que paguei nele, já previa  que a bomba não iria durar muito, ainda mais no Álcool. Montei no tanque e tudo aparentemente beleza, pressão a 3 bar, mas é só…. quando estrangulava a linha para ver até quanto de pressão a bomba suportaria, mal passava de 4 bar e como minha pressão de turbo é de 1,2bar, preciso de uma bomba que segure no mínimo  4,5bar numa boa… e essa sequer chegou lá…  para um motor aspirado ela até quebraria o galho, mas turbo sem chance… Soluções?

Fabricar/comprar surge-tank  e usar duas bombas , modificar tanque para usar bomba in-line, etc.. Não estava com disposição para modificar o sistema original, fiz questão de manter a bomba e copo in-tank, usando uma bomba apenas.  Deixar tudo o mais simples possível, sem ter que modificar chicote elétrico, mangueiras, e mais um monte de detalhes que envolvem  o uso de um surge tank ou adaptação para usar bomba in-line.  Quais opções de bomba in-tank de alta performance temos então?

  1. Outra “GTI 12bar” = nem de graça!
  2. Walbro 255 =  é bem renomada, cara  e muito usada aqui no Brasil, mas não suporta álcool.  Então cairia no mesmo problema, todo ano ter que trocar de bomba
  3. Aeromotive Stealth 340 = Renomada, largamente usada nos EUA e o principal, suporta álcool!  Nos EUA custa cerca de U$130,00 + frete + imposto, chegaria aqui beirando os R$1500. É… salgadinha.
  4. DeastchWerks pumps = Pouco conhecida por aqui, mas com ótimos feedbacks nos fóruns euros e gringos, custa cerca de U$100 o que também ficaria salgadinha para importar, se fosse para comprar durante uma viagem aos EUA ambas sairiam baratas.. mas o frete e imposto arrebenta!!

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Então, o que fazer para conseguir usar uma bomba realmente eficaz e durável no meu Corrado a um custo que não seja o de uma bomba importada?

Conversando com um amigo em um fórum, ele me dá uma dica de uma bomba Bosch que equipa alguns carros nacionais atuais e que a mesma possui vazão de 105L/h a 4 bar e é para carro flex, ou seja, tolera o álcool.

Olhando a tabela de especificação da própria Bosch confirmo essa informação e enquanto que todas as outras bombas  possuem vazão na casa dos 80~90 L/h a 3bar de pressão, essa era significativamente superior.

Comprei a dita por R$230 e agora preciso de adapta-la dentro do copo e obviamente fazendo questão de manter a função de catch do copo, para isso precisei  fazer no torno duas luvas para encaixar perfeitamente a bomba no copo e compatibilizar os terminais elétricos do chicote.

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Bomba firme dentro do copo e o mesmo 100% funcional atuando como catch. Era esse o  tipo de serviço que eu esperava ver quando comprei a bomba “GTI 12bar” alta performance + copo  da tal empresa nacional…

Montei dentro do tanque e testei, tudo 100%, pressão estável e quando estrangulo a linha sobe até 6 bar e se mantém firme e forte, como preciso “apenas” de 4,2bar de pressão de com turbina 100% cheia, ficou ainda com uma boa margem de segurança. Vamos ver até quando vai durar. Se essa não aguentar, daí terei de morrer numa Stealth 340 ou uma DeastchWerks mesmo..

O próximo assunto a abordar, Suspensão:  Desde que comprei o carro não tinha desmontado/conferido nada a respeito da suspensão, mas sempre achei o carro um tanto duro e com alguns “nheco-nhecos” e rangidos oriundo da mesma. Existia também outro problema muito incomodo que toda vez que acelerava forte destracionando os pneus a frente “passarinhava”  puxando de um lado para o outro sendo necessário ficar corrigindo a trajetória no volante.  Sensação horrível e perigosa.

Fazendo uma análise da mesma, constatei algumas buchas já ressecadas/desgastadas e os quatro amortecedores tinham uma etiqueta de uma famosa empresa que “prepara” amortecedor aqui no Brasil. Nenhum dos quatro apresentam vazamentos, mas são duros igual a um porrete!!! Típico desses serviços de “preparação” de amortecedor que consiste em pegar um amortecedor original, fura-lo, remover o óleo e substituir por outro mais viscoso a fim de aumentar a carga do amortecedor… Ou seja.. uma bela BO#*&.  Como eu suspeito que o meu Corrado está levemente mais baixo que um original, não sei dizer se é por conta das molas já cansadas ou se as molas foram também mexidas pelas “ preparadoras” de suspensão no passado.

Com isso então, decidi partir logo para um jogo de Coil-overs , optei pelos da marca JOM, fabricados na Alemanha, não são os top de linha como os Koni, Bilstein, etc… mas li bastante feedbacks positivos sobre os JOM e resolvi arriscar, pois a diferença de preço deles para os Koni é muito grande.

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Montei os amortecedores e como não gosto de carro extremamente baixo, os deixei regulados de modo que o carro ficou praticamente na mesma altura que estava antes. Tudo montado e apertado, sai para dar um role….  PQP!!! Que alivio!!!! Agora tenho um carro com suspensão que trabalha como deve ser…  suspensão firme mas sem socar/quicar, sem rangidos, sem “nheco-nhecos”.  Durante acelerações fortes, segue estável em linha reta, sem passarinhar como estava antes!

Voltando ao acabamento interior / exterior , vamos dando um trato nos pequenos detalhes que apesar de pequenos, dão muito trabalho e fazem a diferença no visual de qualquer carro. Hora de dar um trato na capa da alavanca do freio de mão, que é de plástico e para “variar” estava quebrada.

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Novamente, cola e costura com araminho, tudo firme no lugar.

Outro item que estava guardado aqui e aproveitei para instalar é o logotipo G60 que fica na grade frontal

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Mais um mimozinho de acabamento: Como eu só tenho uma chave do carro, preciso fazer outra para ter uma reserva. A chaves que encontramos na maioria dos chaveiros de esquina, sinceramente, são porqueiras pura, mal acabadas, e o pior, são de material de péssima qualidade, entortam e quebra com facilidade.

Procurei por chaves virgem originais da VW e como o perfil das chaves do Corrado é igual ao da maioria dos carros VW da década de 90, encontram-se com certa facilidade por aqui, mas , mas… o povo enlouqueceu! Pedem 300, 400, 500! Em uma chave original virgem. São aquelas chaves que saíram nos Gol GTS e alguns Santanas com o logo da VW vazado no meio, são as mais caras, justamente o modelo que eu acho mais legal. Comecei a procurar no eBay, e achei um cara na Grécia vendendo um par originais, virgens e o custo final, incluso frete, R$84. O par. Tive que abraçar né??

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Outro item que me incomodava é o caperte do tampão traseiro, já estava ressecado e com os pelinhos se soltando ao passar aspirador de pó, comprei um pedaço de carpete preto, uma latinha de cola e mãos a obra!

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Um detalhe que sempre estranhei é que a tampão, mesmo sem nenhum alto falante era consideravelmente  pesado para uma simples placa de papelão prensado e cobertura de carpete. Ao remover o carpete velho tudo se revela:

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Algum prestador de serviço porco, lambão, gambiarreiro, para tapar os buracos ( feitos para abrigarem alto falantes 6×9 no passado) o cara usou massa plástica! Está explicado o porquê o tampão é mais pesado do que aparenta!  O problema é que se eu tentar remover a massa plástica agora que já endureceu provavelmente quebrará o tampão…

Os suportes laterais onde seguram o tampão, também estão com o carpete ressecado, mas esses não tive nenhum surpresa, bastando remover o velho e colar o novo.

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Resultado final:

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Muitos me questionam sobre como é manter um carro importado da década de 90 e ainda com pouquíssimas unidades no Brasil e nem tantas assim mundo afora, afinal, segundo o que  li em algumas pesquisas sobre o Corrado, foram fabricados cerca de 115.000 unidades apenas. Considerando que foram 115mil espalhadas ao redor do mundo, é um numero baixo.

Pois bem, muitas peças, principalmente de acabamento/lataria/iluminação são exclusivas dele e essas  realmente são  impossíveis de achar por aqui, tem que importar dos EUA ou Europa e mesmo lá , já não são tão fáceis, é preciso garimpar em fóruns e grupos sobre VW.

Porém muitas peças são compartilhadas com outros carros do grupo Volkswagen (Audi, Seat, e até mesmo Porsche) e muitas delas de carros nacionais como Santana, Gol etc. Peças como maçanetas, fechaduras, suspensão, rolamentos, buchas, motor, cambio, chicote elétrico, e mais um grande leque de peças… até mesmo uma simples tampinha de reservatório de água do lavador do para brisa…

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Essa tampinha é a mesma usada em Santana / Gol G1. Acha-se na auto peças da esquina e custa a merreca de R$7.

Daí pergunto…. qual outro carro bacana e importado da década de 90 que oferece as mesmas facilidades e compatibilidade de peças? Eu tenho uma lista de carros incríveis que eu gostaria de ter, mas na hora que eu penso o pesadelo que deve ser conseguir peças, me desanima de tê-los.

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Carros como Mazda Miata (quase comprei esse da foto meses atrás, estava com a correia dentada arrebentada e embreagem gasta, o vendedor amarrou e não pegou minha oferta. Não sei se foi sorte minha ou sorte de quem pagou o valor que o vendedor queria. Toyota MR2, Toyota Paseo, Toyota Supra, Mitsubishi 3000GT, Eclipse, Starion, Nissan 2000ZX, Nissan 240SX, BMW M3 E36, Mercedes SLK, Peugeot 205 GTi, isso para citar os que costumamos ver com certa frequência pelas ruas. Se for considerar carros que são ainda menos comuns/obscuros aí é que descamba de vez a possibilidade de encontrar alguma peça compatível. Será por exemplo que um Ford Sierra XR4 ou um Fiesta XR2 tem muitas partes em comum com outros Fords nacionais da década de 80/90?  O XR4 é um carro muito bacana e é possível importar um da Argentina, não duvido que já tenha alguns rodando no Brasil.

Quando se trata de carros das montadoras que tínhamos na década de 80/90,a coisa facilita um bocado. Fiat por exemplo, o Coupé que é um carrinho bacana, compartilha muita coisa com Tempra e demais carros do grupo Fiat incluso, Alfas e até mesmo Lancia. Na GM temos o Tigra e Calibra que compartilham muito do Corsa e Vectra por exemplo, tem o Opel Manta que mistura muito de Chevette e Opala. Então fica aí a dica para quem gostaria de ter um carro exótico mas se preocupa com a reposição de peças, se optarem por um modelo cujo fabricante tenha bastante participação no mercado nacional na época da fabricação do carro em questão, facilita muito para manter o carro em ordem.

Voltando ao Corrado, chegou a hora das rodas e pneus;  Os pneus originais do Corrado, segundo o manual são 195/55-15 ou 205/50-15, os que vieram no meu são os 205/55-15 que é a mesma medida usada nos Golf MK4, provavelmente algum dono anterior optou por essa medida por ser mais fácil de ser encontrado no mercado e mais barato.

Porém esses pneus com o volante todo esterçado, raspam na parte interna da caixa de roda, mas até que dá para conviver, basta não estercar totalmente o volante, porem os meus pneus já estavam bem ressecados e quando fui olhar a data de fabricação deles, eram “novinhos”, fabricados em 2000!!!! Ou seja, vão completar só 18 aninhos de vida! E como todos aqui sabem, pneu com borracha ressecada, asfalto quente e alta velocidade = BUM!  Eu já passei por isso em uma ocasião com outro carro que tive e felizmente foi o pneu dianteiro que estourou, se fosse o traseiro, tenho minhas dúvidas se estaria aqui contanto essa história.

Como as rodas que vieram no meu Corrado são as “BBS raiadas”, abre-se aqui  uma breve explicação sobre rodas BBS; aqui no Brasil roda raiada se tornou sinônimo de “roda BBS”, assim como toda lâmina de barbear é Gillette, toda palha de aço é Bombril e toda fotocópia é Xerox.

Pois bem, BBS é um fabricante alemão de diversos modelos de roda (e não somente a raiada) e a sigla BBS é um acrônimo dos nomes dos dois fundadores da empresa. De fato a empresa ganhou notoriedade com a fabricação das rodas raiadas, mas existem dezenas de outros modelos/desenhos da BBS.

Aqui no Brasil, as rodas BBS raiadas ficaram populares quando apareceram equipando o Santana Executivo, Voyage Sport e opcionais no Gol GTS / GTi e daí virou uma “febre”. Tudo quanto era VW “de boy” tinha uma BBS modelo RZ, aro 14. Se não estou enganado, as BBS raiadas apareceram até antes no Brasil, mas um modelo diferente nos Monza Classic 1986/87, e como eram aro 13” (algum “Monzeiro” aí pode me confirmar isso? Se eram BBS legítimas?) não ganharam tanto destaque, elas se parecem muito com as BBS RA.

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Voltando ao Corrado, os G60 saíram de fabrica com as rodas aro 15” exclusivas cujo nome é Sebring e opcionalmente com as BBS RZ aro 15”, essa RZ é muito semelhante as BBS 14” nos Gol/Santana, sendo construída em uma única peça.

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Uma grande sacada da BBS é que elas existem em modelos de uma peça, duas peças e três peças, ou seja nas rodas de duas peças, o “miolo” separa do aro, daí você pode simplesmente comprar o miolo de outro modelos BBS e aparafusar no aro e pronto, você tem um jogo de rodas com outro visual.

Nas rodas de três peças alem de você poder trocar o miolo, você pode também modificar a tala e o offset da roda, olha que espetáculo!! O aro separa em duas partes, você pode montar a roda na medida que você quiser de acordo com seu projeto. Legal não?  Sabem aqueles monte de parafusos que vocês veem nos aros das rodas?  No caso das BBS originais eles são funcionais (nas réplicas/Xing-ling são decorativos). Porém, aqui no Brasil esse recurso infelizmente é inútil, pois mesmo que você tenha uma roda BBS 2-3 pieces, dificilmente (para não dizer impossível) você irá encontrar outras partes a venda para você montar suas roda da maneira que quiser.

Voltando ao meu Corrado, as BBS raiadas que vieram no meu, não são as modelo RZ (one piece), mas sim as RS (3 piece) aro 15” e tala 7,5” (maravilha, tenho uma roda 100% customizável, mas não tenho onde comprar as partes aqui no BR) e pelo fato dela ser 7,5” o pneu que fica perfeito para ela é o 205/50-15 e daí veio um probleminha: essa medida parece que está entrando em extinção por aqui. Só achei duas opções: Toyo R888 que são caríssimos e achei os Dunlop Direzza a um preço razoável, mas mesmo assim jogo “filho único”, eram um resto de estoque de uma loja de pneus no Paraná.

Aqui em BH procurei em tudo quanto é loja/distribuidor de pneus e ninguém tinha, nem encomendando. Já o 195/55-15 acha-se até na padaria. Então vai de 195/55 mesmo? Não, com as rodas tala 7,5” eles ficariam um pouco “stretched” e eu não curto muito visual stretch nos carros, sem falar que não me passa uma sensação de segurança esse tipo de montagem. Se estiver na estrada em alta velocidade, numa curva e topar com um buraco, o estrago vai ser feio. Então fiquei nos Dunlop 205/50 mesmo. Pneus montados, ficaram muito melhores do que com os 205/55que estava antes.

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Nesse meio tempo, apareceu algo que e há muito procurava. Apesar de eu gostar muito do visual que as BBS raiadas proporcionam ( é incrível como essas rodas caem bem em praticamente qualquer carro da década de 80-90) gosto de variar de vez em quando, principalmente pelo fato das raiadas serem amplamente usadas por aqui, tudo quanto é encontro de carros que você vai tem uma dezena de carros com elas (e antes que alguém pergunte: não, as BBS RS não estão a venda). Então há muito tempo já estava a procura de outras rodas e esperando aparecer a oportunidade, só que eu tinha alguns requisitos:

  1. Que fossem aro 16” (17” só se fosse imperdível mesmo) pois com as nossas maravilhosas ruas e estradas, opto por usar pneus com o perfil mais alto possível.
  2. Que fossem originais e de fabricante renomado; réplicas/fabricantes Xing-ling, nem pensar. Toda hora vemos casos de rodas de má qualidade quebradas nas nossas impecáveis estradas.
  3. Que fossem simétricas, ou seja, em ambos os lados do carro, elas fiquem iguais. Pode ser frescura, tique-nervoso etc, mas se tem algo que me incomoda num carro é você olhar as rodas no lado direito e elas estarem “rodando” em um sentido e quando olha no lado esquerdo as rodas estão “rodando” em sentido contrário. Jogo de roda assim para mim não serve. E infelizmente, tem muito modelos de rodas que acho maravilhosas, mas não vendem em pares direcionais.
  4. Furação 4×100, pois se tiver que adaptar cubo/espaçadores seria um gasto extra. Aqui cabe uma breve explicação: no Corrado é até relativamente fácil mudar o padrão para 5×100 o que abre um leque gigantesco de opções de rodas legais, atrás bastaria trocar os cubos de roda e disco traseiro  pelos do Passat VR6, poderia também usar todo o conjunto cubo/disco/hub/pinça/homocinetica e semi-eixo também dos Passat VR6. Porém, sempre tem um porém, no quesito freios estaria fazendo um downgrade, pois as pinças de freio dianteiro dos Corrados são as graúdas Girling 54 e os discos também são maiores que os do Passat. Para que fosse possível converter o cubo para 5×100 usando as pinças originais do Corrado seria necessário usar todo o conjunto do Corrado VR6 e obviamente teria que importar e como são peças pesadas o frete fica mais caro que as peças.  Ah mas existem adaptadores de 4×100 para 5×100, sim, existem, mas na minha opnião, quem usa isso em carro de alta performance é louco. Esses adaptadores de 4×100 para 5×100/5×114 ou tem usar parafusos “alienígenas” ou alguns chegam ao absurdo de usar apenas TRES parafusos para fixar o adaptador ao cubo. Insegurança total! Olhem que “espetáculo” esse adaptador de 4×100 para 5×114, vejam como só é possível usar 3 parafusos para fixá-lo ao cubo:

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Depois de muito tempo, apareceu um jogo das japonesas Enkei modelo EV-5, aro 17, tala 7” em estado de novas, inclusive montadas com pneus novos Dunlop 215/45-17. Abracei as rodas e já imaginava que os pneus não iriam caber, fiz apenas um teste no elevador para conferir.

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Como esperado, raspam no interior da caixa de rodas, terei de vender e comprar um jogo de 205/40-17.  Mas antes de montá-los estou na dúvida cruel se pinto as rodas de dourado ou deixo prata mesmo. Há muito tempo venho com rodas douradas na cabeça, culpa desse Corrado aqui que serviu de inspiração:

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Querem saber qual foi a decisão sobre a cor das rodas?? Aguardem o próximo capítulo! Esse ainda não foi último!

PS: Estou fazendo um censo de quantos Corrados existem no Brasil, até o momento já cataloguei 18 carros diferentes (incluso o meu) e sei de mais meia-dúzia de boatos, mas ainda sem confirmação visual/identificação. Peço ajuda aos amigos gearheads que se verem algum Corrado na rua, eventos, oficinas, ferro-velho etc, saquem seus celulares e tirem fotos, de preferência com a placa legível, e entrem em contato comigo, por favor.

Por Fabiano Silva, Project Cars #248

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