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E se os carros de Fórmula 1 do futuro fossem assim?

Depois de exaltar o passado glorioso da Fórmula 1 com o desfile de carros e pilotos lendários que aconteceu no GP da Áustria, que tal olhar para a frente — para o futuro da F1? É exatamente isto que o designer holandês Andries van Overbeeke nos propõe com seu trio de conceitos digitais para a a maior categoria do automobilismo, em uma série chamada Echoes of a Nearby Future, ou “Ecos de um Futuro Próximo”. Eles só existem no mundo virtual e dificilmente serão transformados em realidade, mas são surpreendentemente plausíveis, e muito, muito bonitos.

A Fórmula 1 passa por uma fase complicada — com regras cada vez mais restritivas estipuladas pela FIA, carros com visual carregado e dezenas de aparatos aerodinâmicos que, além de poluir o visual, demandam muitos gastos em seu desenvolvimento, a categoria vem perdendo popularidade e preocupando seus organizadores.

Como forma de protesto, a Ferrari apresentou no início do ano um conceito que propõe mudanças radicais nos monopostos da categoria. Chamado simplesmente de “F1 Concept”, o carro traz linhas mais limpas, asa traseira dupla e pouquíssimos componentes mecânicos expostos — não dá para ver o motor na traseira e a suspensão é coberta por peças de fibra de carbono. A exceção fica por conta do sofisticado conjunto dianteiro, que troca a asa simples por um complexo arranjo de dutos e aletas.

Se o visual do conceito parece futurista demais, a Ferrari diz que é totalmente funcional, plausível e viável — se as regras não fossem tão rígidas quanto ao conjunto aerodinâmico dos carros, a Scuderia colocaria nas pistas algo assim.

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A abordagem de Andries é semelhante. Para ele, que é fã da F1, a categoria um dia foi dominada por “bestas selvagens”, mas hoje elas foram domadas pelo regulamento — e ele, como muitos fãs, tem suas próprias sugestões para melhorar a imagem da categoria não apenas junto ao público, mas junto a pilotos e equipes. Sua proposta: tornar as regras mais simples e incentivar a inventividade dos designers. “Temos todos esses gênios trabalhando para as equipes de Fórmula 1, mas eles ficam restritos”, o designer comenta com a revista Wired. “Eu só gostaria de regras mais simples”.

Agora, a simplicidade de seu argumento contrasta com o estilo de seus três conceitos — três carros distintos, inspirados pela McLaren, pela Williams e pela Red Bull, que são radicalmente diferentes de tudo o que temos hoje, mas ao mesmo tempo parecem surpreendentemente plausíveis.

future-formula-one (13)SHANGHAI, CHINA - APRIL 19:  Fernando Alonso of Spain and Ferrari drives during qualifying ahead of the Chinese Formula One Grand Prix at the Shanghai International Circuit on April 19, 2014 in Shanghai, China.  (Photo by Clive Mason/Getty Images)

O conceito que chama mais a nossa atenção, obviamente, é o McLaren de cockpit fechado. Seja com a pintura preta ou com o clássico branco e vermelho dos tempos de Marlboro, é difícil tirar os olhos deste que parece, de certo modo, uma mistura de monoposto com protótipo LMP1. Andries teve a ideia de projetar um carro de F1 com canopi depois do acidente de Felipe Massa durante o GP da Hungria em 2009, quando o brasileiro sofreu uma concussão depois de ser atingido por uma mola no capacete. Na mesma semana, o jovem Henry Surtees, de apenas 18 anos, morreu ao ser atingido por uma roda durante uma rodada do campeonato de Fórmula 2.

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O próprio Andries admite que não é apenas uma questão de colocar um canopi nos carros e botá-los na pista. “É preciso resolver algumas questões técnicas, como ter certeza de que o piloto conseguirá sair do carro facilmente em caso de acidente, mas não é nada que não possa ser solucionado”.

Os outros dois conceitos são mais tradicionais, mas ainda assim bem diferentes do que se vê atualmente na F1. Para começar, suas formas são mais puras, sem barbatanas, bicos de formato fálico ou asas dianteira e traseira cheias de curvas e protuberâncias. Um detalhe crucial, de acordo com o jornalista automotivo Craig Scarborough, especializado nas questões técnicas do automobilismo, é o formato das asas.

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Scarborough comenta que as asas atuais são grandes e complicadas, projetadas especificamente para aumentar o downforce e manter o carro colado no chão em altas velocidades. O lado negativo desta característica é que ela dificulta as ultrapassagens: se um carro ficar muito próximo da traseira de outro, a mudança no fluxo do ar prejudica a estabilidade do carro e, por isso, a distância entre eles precisa ser maior, o que torna ultrapassagens emocionantes cada vez mais raras — os carros não podem mais “pegar o vácuo”. Asas menores, como as que estão nos conceitos de Andries, produziriam menos downforce, sim, mas por outro lado permitiriam que os carros andassem mais próximos uns dos outros e, naturalmente, trocassem posições com mais frequência.

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Além disso, com um design mais simples, os carros sugeridos pelo holandês também custariam menos para serem desenvolvidos — o que ajudaria a evitar que equipes menores e sem recursos abandonassem a categoria por não conseguirem arcar com as despesas, como aconteceu recentemente com a Caterham e com a Marussia e pode acontecer com a Force India ou a Sauber.

É claro que isto não passa de especulação. Na mesma semana em que a Ferrari divulgou seu F1 Concept, em fevereiro de 2015, as equipes e dirigentes da F1 se reuniram em Genebra para discutir o futuro da categoria, e determinaram que não serão realizadas mudanças profundas no regulamento antes de 2017.

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De qualquer forma, ao olhar para os conceitos de Andries fica difícil não se empolgar com a possibilidade de, um dia, vermos carros parecidos com estes disputando a Fórmula 1.

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