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“The Grand Tour”: Eu assisti ao novo programa de Jeremy Clarkson, Richard Hammond e James May e…

Começa com a Inglaterra chuvosa, Clarkson entrando em um black cab para Heathrow, pegar um voo para Los Angeles. O clima cinza é uma analogia visual da situação pessoal de Clarkson ao longo de 2015: sua mae morrera, ele estava se divorciando e achava que estava com câncer. Para piorar, ele fora demitido daquele que foi praticamente seu único emprego em toda a sua vida adulta.

Nos EUA, Clarkson encontra o sol a bordo de um exclusivo Fisker-Galpin Rocket. Horizonte limpo, com a sugestiva “I Can Se Clearly Now” de Johhny Nash (não Cash) na trilha sonora. Ele toma a dianteira sozinho. Ao menos é o que parece. A câmera então revela James May e Richard Hammond com outros dois Stangs, como se dissessem: “Hey chap, estamos aqui!”.

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Se você não percebeu, todo este segmento de abertura é uma releitura da saída do trio da BBC e a formação do novo programa dramatizada de forma poética para o vídeo.

O que se segue após a cena do reencontro do trio é simplesmente a cena mais cara já filmada para a TV, como foi anunciado há cerca de um mês. O trio se encontra com um comboio de cerca de 50 carros e motos de todas as épocas e estilos. De um velho Packard a picapes rat rod, de um Jeep FC-150 ao Lamborghini Aventador. Do 911 clássico ao Mercedes-AMG GT e à nova Ford F-150. O comboio se dirige a uma verdadeira festa no deserto da Califórnia, com acrobatas, esculturas que cospem fogo e a equipe de jatos da Breitling, onde é aguardado pela banda responsável pela trilha sonora e pelo público de fãs.

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Ali eles se apresentam ao público e anunciam o novo programa, começando pelo trailer da temporada e, depois, partindo para a tenda-estúdio que rodará o mundo com o programa.

 

Lá dentro o programa ficou burocrático. Hove muita conversa, muitas piadas encenadas, embora boa parte disso tenha servido como explicação do novo formato. Talvez dois minutos a menos de papo fossem ideais. De qualquer forma, esperamos que seja apenas algo pontual deste episódio inaugural.

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O comparativo entre os hipercarros LaFerrari, McLaren P1 e Porsche 918 finalmente foi ao ar, dividido em duas partes — uma na primeira metade e outra na reta final do programa. No meio disso, eles recheiam o programa com referências diretamente indiretas aos quadros dos antigos programas. Primeiro eles se auto-sacanearam por não poder usar mais o “The News” como conhecemos criando uma vinheta digna dos programas vespertinos de variedades da TV brasileira. Ronnie Von adoraria aquela vinheta jazzística. Sem notícias, o foco foi a multa de James May por excesso de velocidade a… 60 km/h.

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Outro quadro que eles foram juridicamente proibidos de remodelar foi o “Star in a Reasonably Priced Car”. Para explicar que não haverá mais celebridades, eles criaram o “Celebrity Brain Crash”, um jogo mental feito com celebridades usando um suposto equipamento de treinamento de pilotos da RAF. Foi um segmento fraquinho, com atuações cômicas um pouco forçadas, algo como um esquete do Monty Python escrito em um dia pouco inspirado. Não chega a ser chato, mas não é hilariante como eles talvez tenham imaginado.

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O outro carro apresentado neste primeiro programa foi o BMW M2. Jeremy dirige o carro na Inglaterra e aproveita para apresentar a nova pista do programa. Sim, eles haviam declarado que a BBC tinha proibido o novo programa de fazer isso, mas eles conseguiram driblar a proibição de alguma forma.

A nova pista é um soco na cara: trata-se de um caminho de asfalto ao redor de um galpão em um antigo campo aéreo da Royal Air Force que atualmente pertence ao Museu de Ciências do Reino Unido. Sendo estreito e enfiado entre prédios e árvores, a sensação de velocidade é ainda maior.

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Diferentemente do aeródromo de Dunsfold, a nova pista não tem áreas de escape, zebras, nem largura suficiente para pousar um Boeing. É simplesmente um caminho de acesso dos carros de serviço ao depósito do Museu que felizmente formou um belo circuito de “club racing”. Os apresentadores o chamam de “o circuito mais perigoso do mundo” porque, além de ser estreito e sem áreas de escape, ele tem uma central elétrica de alta tensão na tangente externa de uma curva, uma bomba não detonada da Segunda Guerra enterrada ao lado do traçado e o formato de um vírus ebola. Por isso também ele é chamado de “Eboladrome”.

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O piloto, diferentemente do que os teasers mostravam, não será “TheBen Collins” e sim o piloto americano Mike Skinner, chamado pelo programa como ‘The American’. Skinner tem 60 anos (é o mais velho deles) e foi campeão da Nascar Truck Series em 1995. O cara faz um personagem ranzinza, que não gosta de nenhum carro que não seja americano com motor V8 — qualquer carro diferente disso é “comunista”.

O programa é encerrado com a típica discussão do trio sobre os resultados do desafio (dos hipercarros, nesse caso) e, sem nenhum bombshell, Clarkson anuncia onde estarão no próximo episódio.

Em termos gerais The Grand Tour fez uma boa estreia, embora tenha se dedicado mais à apresentação e à comicidade do que aos carros. Quem esperava grandes surpresas ou algo ainda mais ousado ficará esperando até o próximo episódio — ou talvez para sempre. The Grand Tour trouxe mais do mesmo, e não dá sinais de que irá muito além disso. Mas isso não é necessariamente uma coisa ruim.

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Clarkson, Hammond e May tiveram (e ainda têm) um papel importantíssimo na manutenção da cultura automotiva nas duas últimas décadas. Eles fizeram e ainda fazem, disseram e ainda dizem, coisas que nenhum outro programa de TV sobre carros jamais ousou dizer e fazer. Eles foram os grandes responsáveis por transformar um programa de carros em algo que toda a família assiste reunida e se diverte. Eles levaram a cultura automotiva para fora dos círculos gearheads e fizeram sua mãe curtir o ronco de um motor V8.

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Contanto que não se tornem uma versão automotiva do Elvis Presley gordo dos anos 1970, eles podem continuar como sempre foram. Embora algo nos diga que “Grand Tour” ficará ainda melhor nos próximos episódios.

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