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FlatOut!
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Project Cars Project Cars #63

Um tempero novo para o Mitsubishi Lancer GTI de Carlos Sato, o Project Cars #63

E aí, pessoal! Beleza? Sou Carlos Sato, de Santo André (SP), tenho 35 anos e um Lancer GTI 1995 Turbo. Posso pular a parte de que sou um fanático por carros desde pequeno? Acho que não sou muito diferente de você.

Minha história com o Lancer começou em 2004, aliás, esse foi um ano muito interessante para mim, foi quando decidir sair dos games e da bike e fazer alguma efetivamente positiva em quatro rodas como corridas de kart e navegação em rallys de regularidade, mas isso é uma outra história.

Voltando a 2004, um mecânico amigo meu me liga:

— E aí Sato, beleza?

— Beleza, Marcão e você?

— Beleza também.  Está sentado?

— Não, mas vou sentar, manda a bomba!

— Apareceu um Lancer GTI aqui na oficina, o carro está com um pistão torrado. O dono desgostou do carro, e seu irmão conhece ele… é o Rafael. Interessa?

— Depende, quanto ele quer?

— Quer X reais, ele disse que aceita aquele Fiesta do seu irmão no rolo…

(Trinta segundos de conversa com meu irmão, que estava prestes a viajar para a Irlanda)

— Aguenta aí que estamos indo ver o carro…

E assim trocamos o maravilhoso Fiesta 1.0 1998 do meu irmão no Lancer GTI Turbo 1995 quebrado…

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Foram três meses para contar a história aqui em casa, depois mais três meses convencendo meu pai a não me matar e um ano para montar o carro. Ou seja, só fui sentir mesmo o carro depois de um ano e meio após a compra. Nem sabia se o carro era bom mesmo.

Durante o tempo em que o Lancer ficou encostado na oficina, meus pais chegaram a questionar se eu tinha dado um golpe com o dinheiro do meu irmão. Desconfiaram de tudo: que eu estava usando drogas, que eu tinha engravidado alguma garota por aí etc. Nem a Polícia Federal teria feito tantas perguntas, mas enfim sobrevivi.

Quando saí da oficina do Marcos com o carro, lembro que era um dia de chuva, o carro tinha pneus de 16 polegadas, comuns, meia vida. Depois de receber um belo brienfing e de deixar quatro cheques na oficina, ouvi a seguinte frase:

 — Sato, vai com calma, isso aqui não é seu Gol (1000 com motor CHT), está chovendo, não quer mesmo pegar o carro amanhã?

—  Não, Marcão. Fica tranquilo, vou com calma.

E realmente fui com muita calma… pelo menos por uns dois quilômetros. Nunca gostei tanto de levar voadora nas costas! O carro era uma ignorância (na época)! Destracionava bonito naquelas ruas molhadas do centro de Santo André.

No dia seguinte não choveu e finalmente senti como o carro podia acelerar. Nunca foi tão rápido ir e voltar do trabalho. Todo pretexto para usar o carro era válido, coisa de criança com brinquedo novo, manja?

Assim começa a minha saga com o Lancer. De lá para cá muita coisa aconteceu, ficou um tempão encostado por falta de verba para manutenção, já participou de track day em Interlagos, já viajamos juntos, as vezes vamos ao trabalho. Enfim, é o meu carro do dia-a-dia.

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Hoje, mais tranquilo, velho e careca, não tenho pretensões de levar o Lancer para pista no modo soviético, quero apenas um carro divertido e confiável. Pode ser que participe de um track day, ou de eventos mais tranquilos como pro solo, o importante é não ficar parado e voltar para casa dirigindo. Guincho nunca mais!

Falando sobre o carro, trata-se de um sedã muito leve, com tração dianteira (nada é perfeito) e motor 1.8 16v de 140cv originalmente. O motor é o bom e velho 4G93, o mesmo das Pajero iO e usa uma turbina Master (42/48) produzindo apenas 0,6 bar de pressão. Não tem intercooler, nem módulo auxiliar de injeção, apenas uma válvula de alívio — 0ld school total. Ele continua quase exatamente do mesmo jeito em que foi preparado, em 2004. Mas isso tem que mudar…

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Nesse tempo todo fiz poucos upgrades, foi muita manutenção e principalmente procurando e desfazendo as inúmeras gambiarras que fizeram no carro. Acho que zerei tudo.

Isso significa que vocês, meu amigos leitores do Flatout, vão acompanhar a melhor fase desse carro, onde finalmente vou conseguir fazer alguns progressos e deixar o Lancer um carro mais “legalzinho”.

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No meio de tantos carros interessantes, aqui estamos nós, eu e meu carro de ditchan! Obrigado e vamos batendo um papo enquanto isso. Até a próxima!

Por Carlos Sato, Project Cars #63

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