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Decolando na curva: conheça “a montanha” do circuito britânico de Cadwell Park

Uma das coisas mais empolgantes das corridas é, sem dúvida, o salto. Em diversas categorias existe aquela hora em que o veículo passa por uma elevação em alta velocidade e acaba tirando todas as rodas do chão. É um momento mágico e extremamente antecipado pelo público, que tem a chance de ver um carro voando, a suspensão trabalhando no limite e o domínio que o piloto tem do carro na hora do pouso. Saltos são comuns no rali e um pouco menos em circuitos de asfalto, mas sempre garantem emoção extra a quem assiste e a quem participa.

Agora, poucos saltos são tão icônicos quanto o trecho batizado de The Mountain (“A Montanha”) no circuito britânico de Cadwell Park. Trata-se de uma pista antiga, construída em 1934 no condado de Lincolnshire, Inglaterra. As terras onde a pista fica pertenciam ao Sr. Mansfield Wilkinson, que comprou o lugar em 1926 para praticar caça. Alguns anos depois, seu filho Charlie o convenceu a deixá-lo promover uma corrida de motos na propriedade e, em 1934, a construção do circuito foi concluída.

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Era um traçado de pouco mais de um quilômetro que foi ampliado para ter o dobro da distância em 1953 — ano em que, além de corridas de motos, o circuito de Cadwell park passou a receber corridas da Fórmula 3. Em 1962 o circuito foi ampliado novamente, desta vez para 3,6 km, e ganhou o desenho que tem hoje.

A Montanha é para Cadwell Park o que Eau Rouge é para Spa, o Corkscrew é para Laguna Seca ou o Karussell é para Nürburgring — aliás, por causa do asfalto estreito, das variações de relevo e de seu desenho sinuoso e desafiador, Cadwell Park é conhecido como “Mini-Nürburgring”.

Mas, afinal, o que esta “Montanha” tem de tão especial? Isto:

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É simplesmente um dos saltos mais desafiadores do motociclismo. O trecho consiste em uma sequência de duas curvas, uma à esquerda e uma à direita, que levam a uma elevação de 30 graus. Sendo assim, o salto que se costuma dar — no qual a moto pode chegar a até um metro do chão — é “torto” e, por consequência, o pouso é desajeitado.

Os saltos acontecem aos 1:32 e 3:05

As rodas tocam o chão em momentos diferentes, o que garante um desafio extra na hora de retomar o controle por causa do torque steer — na melhor das hipóteses, o tempo de volta é comprometido. Na pior, o tombo é espetacular.

E mesmo que o motociclista consiga domar perfeitamente a Montanha e fazer um pouso perfeito, o salto acaba provocando um aumento de pelo menos 0,2 segundo no tempo de cada volta, porque a roda perde força durante a decolagem e no impacto com o asfalto.

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Há uma maneira de evitar tudo isto. Tommy Hill, vencedor do Campeonato Britânico de Superbike em 2010, contou ao The Guardian que, em 2005, aprendeu que a maneira mais eficiente de passar pela Montanha é sem saltar. “Você entra em segunda marcha, mantém-se abaixado e passa pela elevação com os pneus colados no asfalto”. A velocidade do trecho costuma ser de 100 km/h, enquanto a média do resto do circuito é de mais de 250 km/h.

Contudo, a maioria dos pilotos prefere saltar — pelo bem do espetáculo e porque a sensação é indescritível. Eles costumam reduzir a aceleração e prestar atenção nos espectadores, que vibram cada vez que uma moto dá um salto. E os fotógrafos também aproveitam para registrar belas imagens, claro!

Hoje em dia, a maioria dos eventos é de motociclismo como o Britânico de Superbike, porque há anos Cadwell Park é considerado estreito demais para receber corridas de automóveis de categorias mais altas. Contudo, ainda é muito procurado para track days, corridas de categorias amadoras (como a insana 750MC Stock Hatch, lembra dela?) e eventos de time attack, além de corridas históricas.

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