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Salão de Detroit 2015

Alfa Romeo 4C Spider e Mazda MX-5 Miata: os roadsters entusiastas do Salão de Detroit

Há quatro anos no Salão de Genebra de 2011, a Alfa Romeo deixou todo mundo maluco ao apresentar o conceito 4C, seu retorno ao mundo da tração traseira com um pequeno e leve esportivo de motor central-traseiro. Dois anos depois, em 2013, a versão de produção chegava às ruas e provava que a Alfa Romeo de antigamente estava mesmo de volta, e melhor do que nunca.

Agora, em 2015, o 4C perdeu o teto e foi para Detroit, mostrar que a Alfa voltou mesmo contudo ao mercado americano — e com seu velho espírito entusiasta que conquistou o mundo no passado.

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Depois de aparecer em março do ano passado, ainda como conceito, no Salão de Genebra, finalmente a versão de produção do Alfa Romeo 4C Spider foi apresentada no Salão de Detroit. As primeiras imagens do conversível apareceram na internet pouco antes do feriado de Natal, assim como os boatos de que ele seria apresentado no primeiro grande evento da indústria automotiva no ano.

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Como aconteceu com a versão conceito do cupê, quase todos os elementos foram levados à versão de produção e os dois carros quase se confundem — o que, convenhamos, não é problema algum, pois o 4C tem linhas belíssimas que não foram prejudicadas em absolutamente nada pela perda do teto.

Aliás, o cupê também estava no Salão, e levou um companheiro pra lá de ilustre: o Alfa Romeo 33 Stradale, de 1967, que foi uma das maiores inspirações para os designers do 4C. Ao comparar a silhueta dos dois, não restam dúvidas de que isso não é papo do pessoal de marketing.

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Na verdade, a chegada da versão conversível já era dada como certa desde o início, visto que o 4C foi projetado com isto em mente. Sendo assim, a ausência do teto não afeta o visual do cupê, como também quase não foi preciso realizar adaptações para dar aos ocupantes do pequeno roadster a possibilidade de viajar a céu aberto.

As mudanças foram bem poucas: além, obviamente, do mecanismo de fixação do teto, foi adotada uma estrutura à parte para o para-brisa, que é feita de fibra de carbono colada e parafusada ao monobloco. Além disso, foi instalada uma barra de alumínio sob o arco do teto (que também pode ser de fibra de carbono) e uma barra estrutural no compartimento do motor. O resultado: um carro que é só 10 kg mais pesado que sua versão cupê — uma marca que também foi obtida com a adoção de vidros mais finos e carroceria de compósito.

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O motor é o mesmo quatro-cilindros turbo de 1,75 litro que entrega 240 cv a 6.000 rpm e 35,7 mkgf de torque a 4.250 rpm enquanto produz aquele ronco maravilhoso. Com 16 válvulas e comando duplo variável no escape e na admissão, o motor tem força o bastante para lever o Alfa 4C Spider aos 100 km/h em 4,1 segundos — exatamente o mesmo tempo de seu irmão com teto fixo. Segundo a Alfa Romeo, o teto de tecido é homologado para até 257 km/h e um teto de fibra de carbono será disponibilizado como opcional.

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A transmissão será a mesma do cupê — a TCT de dupla embreagem e seis marchas, acionada por borboletas atrás do pequeno volante de base chata. Na verdade, o interior é todo idêntico ao do cupê, incluindo o painel digital colorido e a central multimídia com som Alpine. Os bancos são forrados de couro preto, vermelho ou tabaco, com costuras combinando com a carroceria.

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Os detalhes estéticos incluem rodas de desenho exclusivo, de 17 polegadas na dianteira e 18 polegadas na traseira, ou um jogo opcional com rodas de 18 polegadas na frente e 19 polegadas atrás, pintadas de cinza metálico ou prata, além da inédita cor amarela (quer dizer, “Giallo”) na carroceria, que também ganhou novos faróis, de desenho mais tradicional.

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Na traseira, as saídas de escape duplas no centro deram lugar a uma saída simples em cada extremidade — isto de série, pois o escapamento central da Akrapovic será opcional.

Com o Alfa Romeo 4C, a Alfa Romeo pretende firmar ainda mais sua missão de reconquistar o mercado americano. Com o 4C Spider, que chega às concessionárias norte-americanas no início do segundo semestre a missão fica clara: tentar conquistar alguns dos interessados no Mazda MX-5 Miata, cuja nova geração, mais moderna do que nunca, foi apresentada no Salão de Paris em setembro passado.

Talvez a presença de monopostos clássicos da época de ouro da Alfa Romeo nos Grandes Prêmios ensine aos americanos algumas coisinhas…

 

Mas como assim, brigar com o Miata?

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O novo MX-5 Miata (geração ND) foi apresentado há alguns meses e não é exatamente novidade, mas isto não impediu a Mazda de levá-lo ao Salão de Detroit — nem de nos levar a comparar os dois. Porque, apesar de serem conceitualmente diferentes e pertencerem a faixas distintas do mercado, tanto o 4C Spider quanto o Miata têm a mesma proposta: resgatar os roadsters compactos, leves e divertidos ao volante. Além disso,

O Miata está por aí desde 1989 e, apesar das mudanças estéticas e técnicas ao longo destes mais de 25 anos (sobre as quais você pode saber tudo aqui), não perdeu a essência: um roadster leve, divertido, barato e de concepção clássica, com motor atrás do eixo dianteiro, tração traseira e o máximo de conexão homem-máquina.

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Recapitulando o MX-5 Miata de quarta geração: com uma nova plataforma, do tipo espinha dorsal (como nos antigos Lotus), e uso extensivo de alumínio na estrutura, o novo Miata pesa 100 kg a menos que a geração anterior, que já era razoavelmente leve, pesando 1.190 kg. Os motores, como manda o figurino, não são usinas de potência astronômica: dois quatro-cilindros, de 1,5 litro e 130 cv e de dois litros e 160 cv.

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A produção do Miata começa neste ano como modelo 2016, e o preço não deverá ser diferente daquele praticado com os modelos até 2015: algo entre US$ 25 mil e US$ 30 mil, ou R$ 65-80 mil. Já o 4C cupê custa mais que o dobro, e assim podemos estimar que o 4C Spider vá custar entre US$ 55 e US$ 70 mil, ou R$ 145-190.

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A Mazda também levou um protótipo Daytona para o Salão: o Skyactiv-D, que usa um quatro-cilindros biturbo de 2,2 litros a diesel.

Agora que você já conhece os dois roadsters mais legais do Salão de Detroit, diz aí: se tivesse a grana na mão, você compraria um Alfa Romeo 4C ou economizaria metade e levaria um Miata para casa?

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