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Zero a 300

Mopar no SEMA Show 2018: muscle cars de fibra de carbono, restomods matadores e um crate engine de 1.000 cv

Verdade seja dita: boa parte dos conceitos que as fabricantes e empresas de tuning levam ao SEMA Show todos os anos são variações sobre o mesmo tema, feitas para demonstrar kits de personalização, componentes de preparação e coisas do gênero, e muitas vezes o resultado são carros com acessórios e visual exagerado. Dito isto, alguns deles se destacam. Ontem, por exemplo, mostramos um Nissan 370Z com motor V6 biturbo de 400 cv, câmbio manual e modificações estéticas de bom gosto – não muito diferente do que um entusiasta faria em seu próprio carro.

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Hoje, porém, vamos falar de Dodge. Mais precisamente, de um quarteto de Dodge: um Charger 1970 com carroceria de fibra de carbono e motor do Demon e um Challenger Demon com carroceria de fibra de carbono, ambos feitos pela Speedkore Performance Group; um Challenger Hellcat que passou por uma transformação radical para ficar parecido com um Charger 1970; e um projeto oficial da Mopar para mostrar seu novo crate engine de mais de 1.000 cv. Os quatro são atrações do SEMA 2018, e todos são razoavelmente polêmicos por natureza.

Dodge Charger Evolution

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Primeiro, vamos ao Dodge Charger 1970 da SpeedKore, batizado como Evolution. Você provavelmente lembra do Tantrum, projeto da preparadora que mostramos aqui em dezembro de 2015 – e que ficou famoso ao aparecer em “Velozes e Furiosos 8” (The Fate of the Furious, 2017). Na época ele era movido por um V8 de nove litros com duplo comando nos cabeçotes feito pela Mercury Marine, uma empresa especializada em motores aeronáuticos. Com dois turbos e 1.670 cv, era quase surreal.

Para o SEMA 2018, a SpeedKore decidiu transformá-lo no Evolution, mantendo sua identidade visual que mistura as formas clássicas do Charger 1970 com elementos modernos, porém o tornando mais leve e um tanto mais utilizável normalmente. Para isto, foi construído um novo chassi do tipo escada em aço inoxidável, com assoalho de alumínio (incluindo o túnel central e a parede corta-fogo) e painéis de carroceria de fibra de carbono – sendo que o material compósito é a maior especialidade da SpeedKore, que tem uma autoclave grande o bastante para curar um teto inteiro.

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O interior do carro ganhou um novo painel de instrumentos e console central refeito, mas manteve a gaiola de proteção integral e a mescla entre elementos clássicos e modernos, com bancos do tipo concha Recaro revestidos em couro, instrumentos analógicos e design com uma pegada industrial, monocromática. Por fora, o carro recebeu um novo painel traseiro, com lanternas de visual ligeiramente mais tradicional, novas rodas HRE de 19×10 polegadas na 20×10. Segundo a SpeedKore, as mudanças estruturais no Evolution ajudaram a reduzir seu peso do carro para 1.420 kg.

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A maior mudança no Evolution em relação ao que era o Tantrum está debaixo do capô. No lugar do monstruoso V8 de 9 litros e quase 1.700 cv, foi instalado um crate engine do Dodge Challenger Demon. Originalmente o V8 Hemi de 6,2 litros com supercharger tem 851 cv mas, no caso do Evolution, uma polia menor, novos injetores de combustível, coletores de admissão e escape feitos sob medida, lubrificação por cárter seco e provavelmente uma reprogramação eletrônica elevaram sua potência para 979 cv, aferidos em dinamômetro.

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Embora seja uma queda de mais de 700 cv em relação ao motor usado anteriormente, a SpeedKore garante que o carro continua absurdamente veloz e de quebra é mais fácil de guiar. O câmbio continua sendo um Tremec T-56, manual de seis marchas.

O Charger Evolution da SpeedKore, apesar de ter recebido estrutura e carroceria totalmente novos, manteve o VIN original e, de acordo com a preparadora, é totalmente legalizado para as ruas.

 

Dodge Challenger SRT Demon “Big Machine”

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Você deve lembrar que, há alguns dias, mostramos um Dodge Challenger Demon com motor biturbo de 1.400 cv, também feito pela SpeedKore para o SEMA. Contudo, carro vermelho que foi revelado no evento, apelidado “Big Machine”, não parece ser o mesmo: embora também tenha carroceria de fibra de carbono – que foi pintada de vermelho, deixando apenas listras sem pintura nas laterais – este exemplar manteve o compressor mecânico e tem 993 cv nas rodas, aferidos em dinamômetro.

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A SpeedKore afirma que a potência no motor é de um pouco mais de 1.200 cv. Para conseguir os mais de 140 cv a mais (que os 851 cv originais do Demon), a SpeedKore instalou no V8 um sistema cold air intake, um novo corpo de borboleta e um supercharger Whipple de maior capacidade, novo sistema de combustível e reprogramação eletrônica DiabloSport.

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De acordo com a SpeedKore, suspensão, freios e transmissão foram mantidos originais, por enquanto – o plano é realizar modificações para melhorar o comportamento dinâmico do carro em breve. Dito isto, Demon recebeu rodas HRE Series C105 de 20×11 polegadas nos quatro cantos, calçadas com pneus Pirelli P Zero Corsa de medidas 315/30. Já as modificações no interior foram restritas a painéis de fibra de carbono nas portas, gaiola de proteção com 14 pontos e cintos de competição Simpson.

 

O Hellcat retrô com “carroceria de Dodge Charger”

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Enquanto a SpeedKore levou ao SEMA um Dodge Charger 1970 e um Dodge Challenger SRT Demon, ambos com carroceria de fibra de carbono, houve quem quisesse misturar os dois carros. Foi o caso do DJ Funkmaster Flex, um dos pioneiros do hip hop norte-americano dos anos 1990: ele encomendou a uma preparadora chamada Valanca Auto Concepts, de Nova York, um Dodge Challenger Hellcat com uma nova carroceria, insipirada pelo Dodge Charger 1969, feita sob medida com diversos painéis de fibra de carbono.

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O resultado, como geralmente ocorre neste tipo de projeto, é um tanto estranho aos olhos – as formas estão bem executadas e fiéis ao original, mas as proporções entregam que há algo “errado”, especialmente na distância entre os arcos de roda e o topo dos para-lamas, e também na posição da linha de cintura.

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Do lado de dentro o Dodge Challenger Hellcat recebeu um novo revestimento, aparentemente em camurça bicolor, e perdeu os encostos dos bancos ara ficar com um visual mais old school. As rodas são um jogo da Boze, abrigando freios Baer com pinças de seis pistões e calçadas com pneus Pirelli P-Zero.

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A suspensão agora usa amortecedores ajustáveis do tipo coilover da Penske Não fica claro se foram realizadas modificações mecânicas, mas não podemos esquecer que, originalmente, o Hellcat tem 717 cv em seu Hemi supercharged de 6,2 litros.

 

Mopar Hellephant e o “Super Charger”

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Por fim, eis uma atração oficial da Mopar para o SEMA Show. Trata-se exatamente do que diz o subtítulo: um motor V8 supercharged de 1.014 cv chamado Hellephant. O nome é uma referência ao motor V8 Hemi “The Elephant” das décadas de 60 e 70, que deslocava 426 pol³ (sete litros) para entregar 430 cv e é um dos motores mais cultuados entre os fãs de muscle cars.

Não se trata, porém, de uma homenagem aleatória: o Hellephant é derivado do motor do Dodge Challenger Hellcat, porém teve seu deslocamento ampliado para sete litros – o mesmo deslocamento do Hemi Elephant da década de 70 – aumentando o curso dos pistões e o diâmetro dos cilindros. Além disso, o motor ganhou um bloco de alumínio (o bloco do Hellcat é de ferro fundido). Além disso, foi instalado um novo supercharger, pistões forjados e comando de válvulas com maior levante. Já o trem de válvulas é o mesmo do Dodge Demon.

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Com as modificações, a Mopar diz ter criado o primeiro crate engine de fábrica com mais de 1.000 cv. E mais: a companhia pretende oferecê-lo como parte de um kit “plug and play”, que também incluirá um alternador, bomba de direção hidráulica e demais acessórios periféricos necessários para instalar o Hellephant nos carros da Dodge fabricados antes de 1976. Para dar o exemplo, foi levado para o SEMA um Dodge Charger 1968 modificado bem interessante.

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Seu nome é Super Charger, e ele recebeu o motor Hellephant acoplado à caixa manual de seis marchas do Dodge Viper. O carro também ganhou alargadores nos para-lamas, um splitter frontal de dimensões bastante generosas, grade dianteira feita com uma única peça de metal – os faróis ficam atrás dela. Já as lanternas traseiras trazem o mesmo contorno básico das originais, porém têm saídas de escape embutidas. Estas são as mesmas peças usadas pelo Alfa Romeo Stelvio.

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O Super Charger é 6,35 cm mais baixo que o original e, graças aos para-lamas alargados, ficou 10 cm mais largo. Além disso, o entre-eixos foi aumentado em cerca de cinco centímetros com o único propósito de reduzir o balanço dianteiro. As rodas de 20 polegadas calçam pneus de 305 mm de largura na dianteira e 315 mm na traseira.

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Por dentro, o banco traseiro foi removido, e também foi instalada uma gaiola de proteção completa. A instrumentação vem do catálogo de acessórios da Mopar, enquanto bancos e volante são os mesmos do Dodge Viper.

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